Um tiro no pé

Rubens de Almeida Neves - Agente Administrativo - 05/07/2010

Sou agente administrativo e ingressei na Polícia Federal pelo concurso público para o Plano Especial de Cargos do Departamento de Polícia Federal (PECPF) realizado em 2004. Esta é a minha sétima ocupação pública entre cargos e empregos, mas nunca trabalhei em um órgão onde o sistema de castas fosse tão mal dissimulado. 

As tentativas infantis de desvincular os servidores do PEC da instituição Polícia Federal são constantes e múltiplas.  Veja-se, por exemplo, a discussão sobre a cor do crachá, ou sobre se temos ou não direito de ostentar o emblema da Polícia, ou sobre o fato de na  capa da carteira funcional dos  “administrativos”   constar  apenas a sigla “DPF” .

No projeto da Lei Orgânica do Departamento de Polícia Federal os servidores do PECPF foram mencionados en passant, como se não fossem parte integrante do Departamento.

As comissões de disciplina são compostas, em sua maioria esmagadora, por policiais. Como explicar, então, que eles processem e indiciem servidores do PECPF e que estes não façam o mesmo a eles?  E nem a si mesmos!  O que justifica isso? 

Na sede SR Bahia, por exemplo, existem cerca de 70 servidores do PECPF, dos quais  seis são bacharéis em Direito, mas nenhum faz parte de Comissões de Disciplina!

Se prestarmos atenção em qualquer lista de servidores divulgada no Boletim de Serviço, o cargo AADM é sempre disposto no final da lista, a despeito de começar com a letra “a”.  Qual o critério?

Fatos como esses, que ocorrem à revelia da lei e da moral, são meramente o fruto espúrio do bom e velho corporativismo e servem como subsídio para uma ação coletiva  por assédio moral a uma categoria inteira  de servidores.

Só esse espírito de corpo anacrônico e covarde pode justificar policiais como chefes de setores eminentemente administrativos, como SRH’s, SELOG’s etc.

É necessário que se diga alto e claramente que NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE POLICIAIS E SERVIDORES DO PLANO ESPECIAL DE CARGOS, a não ser quando uns ou outros exerçam cargos de chefia.  

O tiro no pé a que se refere o título deste texto é que a criação do PECPF gerou uma expectativa equivocada para alguns policiais. Achou-se que seria criada uma categoria submissa para contentar aos submissos pertencentes à categoria dominante.  O que houve, porém, foi o ingresso de servidores capacitados e altivos que servem não a uma classe de colegas, mas à população, verdadeira destinatária dos serviços públicos.

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