Samuel Pretto Alves

Agente Administrativo - 15/03/2013

É difícil convencer os servidores do Mato Grosso do Sul a liberar o colega Samuel Pretto Alves para missões fora do estado. “Se o Samuel sai, o serviço de massoterapia para, e o pessoal fica mais estressado”, argumentam em tom de brincadeira. Há sete meses, Samuel decidiu prestar serviço voluntário como massoterapeuta para os colegas de trabalho. A iniciativa é um sucesso, somando mais de 700 atendimentos, abrangendo todas as categorias da PF.

“No começo era uma coisa bem informal, nem tomava nota dos atendimentos”, explica Samuel, que também é diretor de patrimônio do SINPECPF. “Hoje eu procuro anotar tudo e fazer uma pesquisa de satisfação junto ao público”, explica, mostrando que, embora preste a atividade de forma voluntária, leva o trabalho muito a sério. “Gosto de pensar que a atividade contribui de alguma forma para a melhoria do ambiente de trabalho”.

E como contribui. Na avaliação dos colegas sul-mato-grossenses, a Superintendência é outra desde que Samuel começou a atuar como massoterapeuta por lá. “Todo mundo ficou mais leve”, avalia a colega Nilda Gomez Sales, que considera o trabalho dele uma verdadeira “benção”. “Faço sessões desde o começo e nem penso em parar”, ela conta, dizendo estar hoje com mais ânimo para o dia a dia.

Para a assistente social Iná Lúcia Laport Domingues, o grande diferencial de Samuel é a forma atenciosa com que ele atende a todos, desde o superintendente até os funcionários terceirizados. “O Samuel vale ouro!”, elogia.

No começo, nem todo mundo queria se aventurar nas sessões de massoterapia. “Alguns colegas tinham receio, aquela mentalidade típica de ‘machão’. Uma besteira”, recorda Samuel. Com o tempo, os mais desconfiados perceberam a seriedade do trabalho e como a atividade ajudava a superar dores e problemas de coluna. “O pessoal soube separar as coisas e o preconceito acabou”, constata.


Os funcionários do SINPECPF aproveitaram a passagem
do colega Samuel pelo sindicato para fazer sessões de massoterapia.

Para conciliar a atividade com seu trabalho no Telecentro, Samuel realiza as sessões de massoterapia somente nas terças e quintas pela manhã, atendendo no Serviço de Atendimento Médico da Superintendência (SAM). Ele presta até dez atendimentos por dia, realizando sessões de “quick massage” (massagem rápida), com duração média de 15 minutos.

Sempre que viaja a serviço, ele procura levar na bagagem uma cadeira especial para massagens para poder atender os colegas de fora. Devido ao sucesso de sua empreitada na Superintendência, sobram convites para que ele vá ao interior do estado. “Sempre que o SAM vai realizar alguma atividade no interior eles me convidam para participar”, revela sem disfarçar o orgulho. “Vou com o maior prazer, porque gosto do que faço”.

Recomeço – A massoterapia entrou na vida de Samuel há quinze anos, enquanto ele buscava se recuperar de um acidente de trânsito que lhe tirou parte da visão. “Descobri a massoterapia no Instituto dos Cegos de Campo Grande. Gostei e resolvi buscar mais e mais cursos para me aperfeiçoar”.

Foi também durante esse período que Samuel tomou gosto pelo trabalho voluntário “Nunca cobrei nada pelo meu trabalho. Faço o que faço porque gosto de ajudar as pessoas”. Além de atender os colegas de trabalho, ele já prestou atendimento em escolas e asilos de Campo Grande.

Enquanto se aperfeiçoava na massoterapia, Samuel decidiu retomar os estudos e buscar um lugar no serviço público. O colega trabalhava como jardineiro quando passou em seu primeiro concurso, em 2001, para a Secretaria de Educação do estado. Logo depois, ingressou na faculdade de Pedagogia e Gestão. Tomou tanto gosto pelo estudo que emendou logo de cara uma pós-graduação em Psicopedagogia Hospitalar. Seu próximo passo já está decidido: uma nova pós, desta vez em Educação Especial, curso voltado para metodologias de ensino para portadores de necessidades especiais.

O ingresso na Polícia Federal se deu em 2005, como agente administrativo. Para executar seu trabalho como gestor do Telecentro, Samuel conta com a ajuda de equipamentos especiais, como sua inseparável lupa eletrônica. “Com a ajuda desses equipamentos, estou totalmente adaptado para a execução de minhas atividades”, pontua.

Outro traço fundamental da personalidade de Samuel é o bom humor. Sempre sorrindo, conserva uma atitude positiva diante de qualquer adversidade. Mas nem sempre foi assim. “Fiquei bastante revoltado depois do acidente, mas o convívio com outras pessoas em situação de dificuldade me ajudou a me aceitar”, explica. “Não esperei as coisas caírem do céu e fui buscar a minha felicidade”, revela, dando a receita de sua alegria.

A história de Samuel é um exemplo para todos. Como ele demonstra com seu riso espontâneo, com um pouco de perseverança e atitude positiva, é possível alcançar os objetivos e se sentir realizado. E depois de chegar lá, nada como usar o conhecimento adquirido para ajudar o próximo e tornar o dia a dia de todos mais leve e produtivo, afinal, a verdadeira felicidade é aquela que podemos dividir com os demais.

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