Nota do SINPECPF: Solidariedade aos necessários protestos que se espalham Brasil afora

Brasil afora, são inúmeros os protestos populares que vem sendo reprimidos com brutalidade pelo Poder Público. Muitos desses protestos são atos de colegas servidores, dos mais variados órgãos, de todas as esferas (federal, estadual e municipal). Em comum, todos lutam em prol da manutenção de direitos históricos, conquistados arduamente, que agora sofrem agora ataques sem precedentes.

Amanhã (11) o SINPECPF se reúne em Assembleia Geral Extraordinária para decidir se também os administrativos da Polícia Federal deverão ir às ruas protestar. Motivos não nos faltam para tanto, sejam as promessas não cumpridas de reestruturação, o tratamento discriminatório dentro da instituição em que trabalhamos (na qual fazemos jus apenas ao “ônus” e nunca ao “bônus”) entre outras questões que qualquer colega conhece bem.

É por isso que registramos aqui nossa solidariedade às centenas de movimentos de resistência que se espalham pelo Brasil. São o grito dos inconformados. Nem sempre ecoam na mídia, cujo compromisso com a verdade é muitas vezes superado pelo compromisso com a publicidade governamental. Mas as ruas têm eco, e aos poucos a população percebe quem deseja reverter os impostos para a população e quem deseja redistribui-lo aos “amigos” e “financiadores”.

Os governantes querem nos amedrontar para nos controlar. Não suportam mais servidores públicos que conhecem seus direitos e lutam para mudar a realidade do país. Queremos mais Estado, com instituições sólidas e impessoais. Queremos serviços públicos de qualidade, prestados por profissionais qualificados e concursados (nada de terceirização). E queremos menos Governo, com seus conchavos e apadrinhamentos que servem única e exclusivamente à manutenção do poder.

Não se trata de uma posição partidária, já que os erros partem de todas as partes, mas de uma visão de futuro, construído pela sociedade brasileira e aqueles que a ela servem, e não por aqueles que apenas desejam ser por ela servidos.

*PS: Reproduzimos abaixo depoimento do colega Pablo Hernandez (RS) sobre repressão brutal da Polícia Militar de Cachoeirinha/RS a protesto dos servidores públicos municipais. Somos solidários à luta dos colegas, que escolhemos para ilustrar esse chamado à luta.

Numa época em que os direitos trabalhistas estão sofrendo baixas nunca antes vistas nesse país, numa época em que o Governo Temer aprovou a terceirização irrestrita (que vai precarizar as relações de trabalho), numa época em que o funcionalismo público se mobiliza contra a Reforma da Previdência para garantir o nosso direito de, no final da vida, podermos contar com uma aposentadoria, posso dizer que tenho orgulho de ser filiado ao SINPECPF, que está nessa luta do bem contra o mal. 

Escrevo essa nota porque, em minha cidade, Cachoeirinha / RS, o prefeito Miki Breier, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), mal tomou posse e já lançou um “Pacotaço” de Leis para a Câmara Municipal aprovar.

Este pacote de maldades retirou direitos adquiridos dos servidores públicos municipais, que entraram em Greve por tempo indeterminado. Eu estava na Câmara nesse dia, montaram uma barricada de PMs, dezenas deles, vindos de micro-ônibus de outras cidades, para impedir o ingresso do povo na dita “casa do povo, coração da democracia”.

Não contente em passar com um compressor sobre os direitos dos municipários, adquiridos em anos de luta, o prefeito Miki enviou mais uma Lei para ser aprovada na Câmara, em 30.03.2017, fazendo cortes no Vale Alimentação dos municipários.

Novamente, vieram muitos PM´s, com escudos, spray de pimenta, gás lacrimogênio e balas de borracha. Um aparelho repressor de causar inveja à ditadura militar. Nesse dia, os servidores municipais sentaram, com algumas cadeiras de praia na frente da Câmara, num protesto pacífico, havendo inclusive alguns em greve de fome. A PM, sem nenhuma ordem judicial, sem observar o uso progressivo da força, reprimiu de forma violenta o protesto. Batendo inclusive com as cadeiras nos servidores.

Muitos manifestantes ficaram feridos, a maioria professoras municipais e estudantes que ali estavam dando seu apoio. Alguns foram hospitalizados por causa dessa agressão gratuita e covarde da PM. Municipais, Estaduais ou Federais, somos todos servidores públicos, nos qualificamos e prestamos concurso, temos orgulho de ter entrado pela porta da frente no Serviço Público,  por isso, entendo que devemos denunciar, nos indignar e apoiar nossos colegas servidores.

Pablo Hernandez

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