Administrativos cruzam os braços e greve na Polícia Federal cresce

A greve na Polícia Federal irá crescer a partir de quarta-feira (15). Em assembleia realizada na última sexta (10), os servidores administrativos do órgão aprovaram indicativo de greve e cruzarão os braços por tempo indeterminado. A categoria reivindica reestruturação da carreira, valorização salarial e realização de novo concurso para a área.

A greve dos administrativos da PF afetará todo o suporte à atividade policial e também os serviços de atendimento ao cidadão, paralisando setores como emissão de passaportes, registro de estrangeiros e o controle de entrada e transporte de produtos químicos em território nacional. Ao contrário do que parte da sociedade imagina, esses serviços não são realizados por policiais, que já estão em greve, mas por servidores administrativos, como explica o sindicato da categoria (SINPECPF).

A presidente do SINPECPF, Leilane Ribeiro de Oliveira, afirma que a greve é reflexo do descaso do Governo Federal. “A reestruturação de nossa carreira é um pleito antigo. Empunhamos essa bandeira desde 2004, com o apoio da direção da PF. Porém, o governo sempre deixa o problema para depois”, sustenta.

Atualmente, a categoria sofre com grande êxodo de servidores. Sondagem realizada junto ao setor de recursos humanos da PF mostra que hoje os administrativos representam 18% do efetivo total da instituição, percentual mais baixo dos últimos trinta anos. O déficit compromete o funcionamento de diversas atividades da PF e obriga o órgão a desviar policiais para atividades burocráticas. “Se o governo quer economizar, deve começar reestruturando nossa carreira, pois o desvio de função de policiais constitui desperdício de dinheiro público”, protesta Leilane.

Eventos internacionais – Os administrativos também estão preocupados com a proximidade dos grandes eventos esportivos internacionais que o Brasil sediará. “No Pan de 2007, boa parte do efetivo foi deslocado para o Rio de Janeiro e o serviço no restante do país quase parou”, lembra Leilane. “Com ainda menos servidores hoje, não vejo a PF prestando serviço de qualidade na Copa do Mundo ou nas Olimpíadas”.

Para o SINPECPF, a reestruturação da carreira administrativa deve ser tratada como política de segurança pública. “O que está em jogo não é apenas a reivindicação de uma categoria, mas a eficiência da PF”. Na avaliação da sindicalista, seria um erro transferir a responsabilidade da segurança desses eventos para as Forças Armadas. “Não precisamos de mais militarização da segurança. O que é competência da PF deve ficar com a PF”.

Nota encaminhada à imprensa.

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