R$ 200 – o preço da insegurança na imigração brasileira

Aconteceu outra vez, e a PF não pode dizer que não foi avisada. Na tarde de ontem (15), funcionário terceirizado da PF que atuava na área de imigração do Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Natal (RN), foi preso em flagrante ao exigir propina de cidadão norueguês, alegando que o estrangeiro estava no Brasil de forma irregular. De acordo com as investigações, após permitir o ingresso do estrangeiro no país, o terceirizado passou a chantageá-lo, exigindo pagamento de R$ 200 para não causar problemas.

As investigações começaram quando a esposa do estrangeiro (brasileira) procurou a sede da Superintendência da PF em Natal para relatar que, no último dia 3, enquanto aguardava a chegada do marido do exterior, funcionário terceirizado da PF a procurou para informar que o marido dela não poderia ingressar no país devido a um “impeditivo legal”.

Durante a conversa, o funcionário explicou que poderia liberar o ingresso do estrangeiro, mas informou que isso iria gerar “uma pendência”, que teria de ser solucionada posteriormente. O estrangeiro teve então o ingresso liberado, e o terceirizado passou a exigir, por meio contato telefônico, pagamento pelo “favor”.

Como o estrangeiro precisava retornar a Noruega dentro de poucos dias, tendo, para tanto, de passar novamente pela Imigração, o casal concordou em pagar a propina. Após acertarem a data e o local do pagamento com o terceirizado, eles informaram todos os detalhes à PF, possibilitando a prisão em flagrante.

Este não é o primeiro caso de funcionário terceirizado que se utiliza da função para cometer atos ilícitos. O que chama atenção é o valor ínfimo pelo qual alguns deles se sujeitam a comportamentos como este. Em 2011, o SINPECPF chegou a participar de Audiência Pública na Câmara dos Deputados para discutir os malefícios da terceirização no órgão, e um dos pontos atacados foi justamente o risco assumido pela PF na celebração desses contratos.

“O barato pode sair caro”, alerta a presidente Leilane Ribeiro de Oliveira, lembrando que os terceirizados são, em sua maioria, extremamente mal remunerados por suas funções. Para agravar o quadro, não há praticamente nenhum rigor nas contratações, ao contrário do que ocorre com os servidores de carreira da PF, que passam por investigação social criteriosa antes de serem nomeados.

O SINPECPF irá levar o caso de Natal às autoridades competentes para, uma vez mais, cobrar providências em relação à terceirização na PF. Os avisos já foram dados. Está na hora do Governo agir para impedir que situações como estas voltem a permear o noticiário.

Com informações da Assessoria de Comunicação da PF

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