Visita a Mato Grosso põe fim à desconfiança e estado elege seu representante

A visita da presidente do SINPECPF à Superintendência Regional de Mato Grosso, ocorrida na última segunda (12), reforçou a importância de um contato próximo entre a diretoria do sindicato e os filiados nos estados. A princípio desconfiados, os colegas mato-grossenses foram ficando mais receptivos à medida que conheciam o trabalho desenvolvido pela entidade. Na opinião deles, a resistência era fruto de nunca ter havido contato como este anteriormente.

Leilane deu início à reunião lembrando os motivos que a levaram a aceitar o convite para se candidatar à presidência do SINPECPF. “Estava insatisfeita com a forma com que a PF tratava os servidores administrativos e decidi tentar dar minha contribuição para mudar isso”, explicou. A presidente buscou utilizar seu exemplo pessoal para motivar os servidores a também lutarem por melhorias: “Temos que firmar nossos espaços, mostrando serviço e nos fazendo ouvir”, alertou.

Após o recado, os colegas não esconderam o descontentamento com algumas práticas existentes na PF. A preferência do órgão por colocar policiais em chefias de setores administrativos foi duramente criticada, e os servidores cobraram ações para reverter esta realidade. A presidente lembrou que o sindicato vem denunciando regularmente os desvios de função praticados no órgão. Ela também lembrou que o sindicato já debateu a criação de dispositivo legal prevendo que esses setores sejam preferencialmente chefiados por servidores administrativos com a Direção-Geral, com os ministérios da Justiça e do Planejamento, e com parlamentares. “Nossa intenção é que isso seja previsto por meio do instrumento legal cabível, para que a mudança de cultura seja perpetuada”, explicou.

Leilane reiterou que a prioridade do sindicato é a reestruturação da carreira, mas deixou claro que há espaço para outras lutas. “Queremos ver o servidor administrativo valorizado, e isso não depende apenas da reestruturação”. Ela citou como exemplos de atuação as vitórias obtidas em pleitos como a extensão da atividade física para o PECPF, a padronização dos crachás e a permissão para que servidores administrativos utilizem o emblema da instituição em suas funcionais – todas questões de tratamento isonômico.

Eleição de representante – Outra prioridade na visita a Mato Grosso era a eleição de representante do SINPECPF para o estado, único que ainda não possuía um. Ao término da reunião, os servidores elegeram o colega Izaque Fernandes Leite para o posto. Izaque começou o trabalho imediatamente, recolhendo fichas de filiação de colegas que superaram a desconfiança inicial e decidiram dar um voto de confiança para o sindicato.

Reunião com o superintendente – “Não há estado em que se trabalhe tanto como no Mato Grosso e fico triste por não ter como oferecer uma contrapartida justa ao servidor pela dedicação”. As palavras são do superintendente da PF em Mato Grosso, César Augusto Martinez, e revelam uma figura preocupada com a situação atual da instituição. Para o superintendente, a PF passa por um momento delicado em termos de falta de pessoal e motivação dos servidores, necessitando de um olhar mais cuidadoso por parte dos governantes.

Martinez disse reconhecer que os servidores administrativos estão, até certo ponto, relegados na estrutura da instituição e avaliou como positiva a visita do SINPECPF no estado. “É uma ótima chance de ouvir estes profissionais”.  A presidente explicou que um dos objetivos do encontro era justamente relatar ao superintendente os anseios da categoria, além de eventuais reclamações e pedidos dos servidores.

Assim como em Tocantins, alguns colegas questionaram os critérios usados para seleção dos servidores para as viagens a serviço. A presidente sugeriu que a SR adote metodologia que permita uma maior rotatividade entre os colegas, sugestão prontamente acatada pelo superintendente.

A questão das chefias também foi abordada. Martinez disse concordar que lotar policiais em setores administrativos é um descrédito para com o PECPF, mas culpou o pequeno efetivo e o baixo valor das gratificações pagas às chefias pelo problema. “Precisamos reavaliar o valor das gratificações por chefias. São raros os servidores dispostos a assumir a responsabilidade por um cargo destes pela gratificação paga hoje”, ponderou.

Ao término da reunião, Martinez afirmou apoiar a luta da categoria pela reestruturação da carreira. “Os servidores administrativos são primordiais para o órgão e chegou a hora de valorizá-los”.

O SINPECPF faz questão de ressaltar o apoio do colega Ronaldo Corrêa durante toda a visita do sindicato a Cuiabá. Até a eleição do colega Izaque, Ronaldo vinha atuando como representante “informal” em Mato Grosso, e só não decidiu se candidatar ao posto de maneira definitiva porque está em vias de ser removido para Sergipe. Agradecemos e desejamos boa sorte ao colega.

Comentários Recentes

Somente Logado!

Registrar