Planalto corrige Mantega sobre salário de servidores

Ministro do Planejamento afirma que colega da Fazenda não se referia ao reajuste do funcionalismo quando pediu ao Senado para votar contra aumento nas despesas com pessoal.

Para evitar polêmica, o governo agiu rápido para reverter o mal-estar instalado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao pedir aos senadores que vetem qualquer tentativa de elevação de gastos públicos com o funcionalismo e Previdência Social. Deixou claro que está mantida a promessa de aprovar as medidas provisórias que reajustam o salário de mais de 350 mil funcionários e criam 2 mil cargos na Polícia Federal. “O ministro Guido não estava falando das MPs. Ele estava falando de outros projetos. Vamos cumprir o que está no acordo”, afirma o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É claro que o governo cumprirá os acordos com os servidores”, diz o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. A intenção do governo é que as MPs, que já passaram pela Câmara, sejam votadas na próxima semana no Senado.

Um interlocutor do Ministério da Fazenda amenizou as declarações do ministro no Senado e frisou que Mantega está preocupado é com a aprovação de projetos como o do senador Paulo Paim (PT-RS), que derruba o fator previdenciário — que possibilita descontos nos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — e não com as MPs que já foram negociadas e estão previstas no orçamento.

Apesar de esses reajustes estarem garantidos, os servidores terão dificuldade para conseguir qualquer outro benefício. A ordem do Palácio do Planalto é evitar a criação de gastos extras, seja por meio da inclusão de emendas nas medidas provisórias em tramitação, seja pela aprovação de projetos de lei de autoria de deputados e senadores. Em momento de crise, em que o Executivo ainda não sabe qual será o impacto sobre a arrecadação de impostos, será necessário cautela para evitar grandes cortes no Orçamento. Mas uma coisa é praticamente certa. A equipe econômica vai revisar os parâmetros econômicos do Orçamento de 2009 e ajustes serão necessários. O próprio governo, que trabalhava com uma expansão econômica de 4,5% para 2009, já admite que o país deverá crescer entre 3,8% e 4%.

Ministro ingênuo
No Senado, a oposição chegou a ridicularizar o pedido de Mantega, já que muitos dos projetos que elevam os gastos foram enviados por parlamentares do PT e da base aliada. “Quem inchou a máquina de custeio com criação de cargos e órgãos, manutenção de comissionados foi o governo”, disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). “O governo sabe bem onde cortar, não somos nós que vamos dizer como governar”, acrescenta o senador José Agripino (DEM-RN).

Os parlamentares sugeriram pontos em que cortes seriam “bem-vindos”: “Poderiam cortar 70% dos comissionados e reduzir o número de ministérios”, descreveu Virgílio. “Acabem com o cartão corporativo, com as viagens e diárias desnecessárias que será uma economia e tanto”, alfineta o democrata. A visita do ministro também despertou ironias. “Não se sabe se a opinião do Mantega é a mesma do governo ou do PT”, declarou Agripino. “O ministro é uma pessoa politicamente ingênua, por isso não vou achar que ele está brincando com a nossa cara”, ironizou.

É consenso nos partidos opositores que o papel de carrasco não ficará para a Casa. “Se o governo se arrependeu das propostas, então que retire”, desabafa o democrata. “O que é inaceitável é que eles sejam bonzinhos e nós, os cruéis”, enfatiza Arthur Virgílio.

(Fonte: Correio Braziliense)

Comentários Recentes

Somente Logado!

Registrar